Envelhecer com leveza? Ou fingir que não vai acontecer com você?
- Ana Paula Corrêa
- 26 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 27 de jul. de 2025
Hoje é Dia dos Avós. E a gente poderia estar aqui falando sobre como eles são fofinhos, cheios de histórias e sabedoria. Mas resolvi puxar um fio que incomoda mais do que meia-calça no verão: por que temos tanto pavor de envelhecer?

Mais cedo, no almoço de família, uma tia (que já é avó, com muito orgulho mas nem tanto) me contou que, quando criança, acreditava que tomar banho com a água do bebê deixava a pessoa jovem pra sempre. Adivinha? Ela acreditou. E começou a se banhar com a água usada de um dos irmãos. Até que, um dia, foi esquentar a bendita água reutilizada e se queimou.
Uma criança queria juventude eterna.
Cômico? nem um pouco.
Triste? Certamente.
E simbólico, com certeza. Porque é isso: a gente cresce com medo de ficar velha antes mesmo de entender o que significa amadurecer.
E vamos combinar: envelhecer nunca foi o problema. O problema é o que inventaram sobre isso. Disseram que mulher que envelhece perde valor, perde brilho, perde espaço.
Mas esqueceram de dizer que ela também ganha: ganha coragem, gana, e uma paciência seletiva que não tolera mais bobagem disfarçada de opinião.
O tempo passa, sim. E que sorte a nossa quando ele passa e a gente segue aqui, vivíssima, com cicatrizes, risadas altas, história no olhar e uma vontade de se permitir mais.
Se permitir mudar de ideia.
Dizer não. Usar o cabelo do jeito que quiser.
Ter rugas e ainda assim ser linda, não “apesar de”, mas junto com elas.
Hoje é Dia dos Avós, mas podia ser o dia de fazer as pazes com o espelho. De parar de achar que o nosso valor expira com a juventude.
Porque, no fundo, a beleza que fica é a que a gente sustenta com verdade.
E se tiver que envelhecer e vai ter, que seja com dignidade, mas também com sarcasmo, com doçura, com leveza e com aquela sensação de que cada ano vivido é um aplauso silencioso da vida dizendo: continua, mulher. Você tá indo bem.






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