Modern Love: uma série sobre amor que vai muito além do romance
- Ana Paula Corrêa
- 20 de jun.
- 3 min de leitura
Pequenas Histórias de Amor, Esse é o nome de uma das colunas do famoso jornal The New York Times. Nele são publicadas histórias dos leitores, com até 500 palavras.
O sucesso da coluna é tão grande que serviu de inspiração para um livro, podcast e uma série, que recebeu o nome de Modern Love.

Diferente do que aparenta, Modern Love, não trás somente histórias de amor, quer dizer, não trás histórias de amor tradicionais, na verdade trás o amor em todas as suas formas.
Família, trabalho, amigos. Relacionamentos novos, resgates, relações maduras e uma dose de amor próprio.
Por ser uma série que não conta uma única história, é possível começar por qualquer episódio, e seguir a ordem que desejar. Cada episódio acompanha personagens diferentes, em momentos distintos da vida, vivendo relacionamentos que nem sempre seguem o caminho que esperamos.
Mas afinal, Modern Love é sobre o quê?

A série aborda temas difíceis: transtorno bipolar, maternidade solo, luto, solidão, infertilidade, desencontros amorosos, crises conjugais e o medo de envelhecer sozinho.
Ainda assim, nada é tratado de forma melodramática.
Não existem grandes vilões, traições espetaculares ou reviravoltas construídas para chocar o espectador. O que existe são pessoas comuns tentando amar, serem amadas e encontrar algum sentido em suas relações.
É uma leveza que acolhe sem ignorar a dor. O que tornam as histórias fáceis de serem vistas e difíceis de serem esquecidas.
A história poderia ser apenas sobre uma mulher criando uma filha sozinha. Mas não é!
O centro emocional da narrativa acaba sendo a relação dela com o porteiro do prédio.
Que não é pai da criança, um parente ou um interesse romântico.
Mas está presente.
E aqui temos uma das mensagens mais bonitas da série: família nem sempre é formada apenas pelos laços que a sociedade tradicionalmente reconhece. Muitas vezes ela é construída pelas pessoas que escolhem permanecer.
Alguns episódios podem trazer certos desconfortos.
Seja por se aproximarem de situações mais reais impossíveis, ou o que a meu ver é a parte mais densa, o fato de que não há vilões, ou desfechos elaborados.
As histórias por vezes, podem parecem inacabadas, conversas que não foram concluídas, explicações que não foram dadas.
E aí, o casal fica junto ou não?
Nunca remos essas respostas.
O casal se reencontrou e deu certo? ou foi apenas aquele encontro?
O marido que ouve o que incomoda a esposa, mas não apresenta a sua defesa.
Percebi que talvez Modern Love estivesse propondo outra reflexão.
Nem toda mudança em um relacionamento nasce de grandes declarações.
Por vezes ela começa quando alguém consegue ouvir o outro sem se defender. Como na história do casal.
São muitas camadas que podemos observar em cada história contada. A relação do casal reflete no relacionamento dos filhos como irmãos. A comunicação ou a falta dela no relacionamento, e o final... quê.. vou deixar que você mesma assista.
Mas, então qual a melhor história?
Entre todos os episódios, o que mais me marcou foi o da mulher bipolar.
Talvez por minha formação em Psicologia, talvez pela forma delicada como a narrativa foi construída.
Me emocionou não só a representação do transtorno em si, mas a solidão.
A tentativa constante de esconder partes importantes de quem ela era. O medo de ser rejeitada.
Gosto dessa história, porque ela dialoga com tantas outras do lado de cá da tela.
Ali, há uma mulher paralisada por um transtorno. Mas na vida de tantas outras pessoas tambem há uma paralisação, diante de relacionamentos que poderiam terem sido tantas coisas.
Essa história, assim coo todas as outras são reais, de pessoas reais que escreveram para a coluna do jornal, mas cabe tão bem como ótimas metáforas da vida, em qualquer parte do mundo.
O medo de ser rejeitada.
A partilha de um diágnóstico e o sentimento de alívio por não ser julgada e sim compreendida.
Ok, a série é linda, mas...
Modern Love não é uma série sobre encontrar o amor perfeito. É uma série que vai trazer o amor nas suas mais diversas formas.
Cada uma de nós vai assistir a mesma história com uma lente diferentes. Do mesmo jeito que a gente vive na vida offline.
E estou certa em afirmar que tá aqui a razão pela qual ela emocione tanto.
Porque, em algum momento, acabamos nos reconhecendo em uma dessas histórias.
E quando elas se encontram no final, nós também nos encontramos nelas.



