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Olympo - Quando se esforçar não é suficiente. Lições da série para mulheres que já cansaram de tentar tanto


Se você já se pegou pensando que precisava fazer mais, tentar mais, se doar mais… talvez se enxergue em Amaia, a protagonista da série Olympo.

Ela é dedicada, intensa, vive pela disciplina e isso soa, à primeira vista, como força. Mas conforme a série avança, o que salta aos olhos é que tanta rigidez esconde outra coisa: um medo imenso de errar, de perder, de não ser suficiente.


Olympo se passa num centro de alta performance, onde jovens atletas treinam duro por fama, reconhecimento e medalhas. Por fora, é tudo corpo definido e foco total. Mas por dentro... é uma panela de pressão prestes a explodir. E se engana quem acha que essa é só a história de uma nadadora. Amaia poderia ser qualquer uma de nós tentando dar conta de tudo, sendo uma filha obediente, buscando seguir os passos da mãe. Só que, no fim das contas, exausta e emocionalmente distante de si e dos outros.


Amaia acredita, profundamente, que só vence quem se esforça muito. Isso se tornou uma lei dentro dela. Uma narrativa que não aceita nuances. Quando Núria, sua amiga e dupla no nado artístico se destaca, mesmo se esforçando pouco (como ela acredita) a única explicação que ela encontra é que a colega está trapaceando. Afinal, como alguém que não “sofreu tanto” pode estar indo melhor? Amaia se entrega à obsessão por descobrir uma falha na outra, não porque é má mas porque ela não sabe existir sem esforço. Ela não aprendeu que a leveza também pode ser legítima.

Amaia personagem da série Olympo

E aí começa a se afastar de tudo o que é real. Do namorado, que está vivendo uma crise pessoal; das amigas, que tentam alertá-la; dela mesma, que está se tornando refém da própria cobrança. A cada cena, fica mais claro que Amaia não escuta ninguém. E não porque ela é arrogante, mas porque está tão focada em se proteger da dor que ela não consegue mais se permitir sentir. Qualquer vulnerabilidade soa como ameaça. E para não encarar isso, ela treina. Ela investiga. Ela foge.


Essa fuga tem preço. O namorado, que tenta se abrir com ela, percebe que Amaia está presente fisicamente, mas emocionalmente ausente. Ela o ouve, mas não escuta. Sua mente está em outro lugar , sempre tentando provar que está certa, que é justa, que é a melhor. E ele vai embora. E ela segue, como quem diz: “não posso parar agora”.


Mas e você , já se viu nesse lugar?


E você? Já se viu nesse lugar? De estar tão focada em “dar conta”, em “ser boa”, que esquece de escutar quem está ao lado? De se perder tanto num papel o da esforçada, da forte, da responsável que esquece quem é sem tudo isso?

O mais duro é que Amaia nem sabe mais quem é fora da piscina. Ela se confunde com o desempenho, com o controle, com a exigência. O olhar dela sobre si mesma foi moldado por cobranças externas que ela tomou como verdades internas. E talvez isso soe familiar pra você também. Quantas vezes você já mediu seu valor pela produtividade, pela beleza, pela aprovação dos outros?


No fundo, Olympo não fala só de competição esportiva. Fala da competição que muitas de nós enfrentamos todos os dias: para sermos aceitas, admiradas, reconhecidas. Fala de como nos desconectamos de quem somos quando começamos a viver apenas em função do que esperam da gente.


Mas existe um outro caminho. E ele começa quando a gente escolhe agir com coragem não a coragem de ser impecável, mas a de ser humana. De parar, escutar, sentir, dizer

“eu não sei” ou “me desculpa” com o coração aberto.


De se libertar da ideia de que só é merecedora quem sofre. Porque não é o esforço que nos torna valiosas é a nossa verdade.

Amaia, aos poucos, começa a ser confrontada com isso. Com o que realmente importa. Com a amizade, o cuidado, a escuta, o afeto. Ela ainda tropeça, ainda erra, ainda se esconde. Mas há uma fresta. E talvez essa fresta seja também um convite pra você.


Você não precisa ser perfeita. Não precisa dar conta de tudo. Não precisa provar o tempo todo que é capaz.

Você pode parar.

Respirar.

E lembrar: você é mais do que seu desempenho.

Você é mais do que o que entrega.

Você é suficiente mesmo quando descansa, mesmo quando chora, mesmo quando não sabe o que fazer.


Essa série me fez lembrar disso. E eu quis compartilhar com você, porque sei o quanto a gente esquece.


logo da série Olympo

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