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Bebês Reborn, Coleção ou Carência?

Atualizado: 22 de mai. de 2025

E se for nenhum dos dois?

De tempos em tempos, a internet escolhe uma nova mulher pra chamar de “errada”. A bola da vez são mulheres adultas que colecionam bebês reborn. Isso mesmo: bonecas realistas que se parecem com recém-nascidos. E não estamos falando de uma brincadeira de criança, mas de mulheres — algumas com filhos, outras não — que compram, cuidam e se encantam por esses bonecos.





mulher com bebê reborn boneca

Aí, claro, estenderam a lona e abriram o circo:


“Elas precisam de terapia!”,


“Estão trocando filhos de verdade por bonecas!”,


“Isso não é normal!”


E olha, como psicóloga, preciso dizer: vocês amam uma desculpa pra chamar mulher de doida, né?


Agora, vamos contextualizar: os bebês reborn não são novidade. Isso já existe há mais de 20 anos. A diferença é que agora temos redes sociais — essa usina de amplificações — onde tudo ganha um megafone. O que era nichado, virou mainstream.

O que era íntimo, virou conteúdo.

O que era só um colecionismo, virou palco.

Sim, existe um ponto delicado aqui. Quando uma mulher tenta preencher um vazio, seja ele emocional, de perda, de solidão ou de maternidade não vivida, com um objeto — qualquer objeto — é importante ficar atenta.

Isso vale pra boneca, pra relacionamento ruim, pra compulsão por compras na madrugada ou pra aquele “só mais um episódio” até às quatro da manhã. A gente pode sim adoecer emocionalmente quando tenta compensar um buraco afetivo com alguma coisa do lado de fora.

Mas nem todo mundo tá adoecida, tá? Tem mulher ali elaborando um luto real, sim.


Tem quem esteja apenas curtindo a febre do momento.

E tem também quem tenha olhado esse frenesi todo e pensado: “hum… isso dá engajamento”. E foi lá fazer o seu conteúdo. Com lacinho, berço, e tudo o que o algoritmo gosta.






Falando nisso, tem influ, que tá aproveitando o momento para bombar na rede social, levando seu bebezinho ao médico para consulta - tudo piada, e você aí, criticando a tia do zap, mas caindo nas fake news que nem elas.



Andy Warhol já dizia (olha ele aí!) que um dia todo mundo teria seus 15 minutos de fama. E cá estamos. Com direito a chocalho, roupinha de tricô e “diário da cegonha”. Aliás, fala sério: quem criou o tal do "Dia da Cegonha" merecia o prêmio de marketing do ano. As vendas explodiram. É ou não é uma artista?


E aí eu te pergunto: se você tivesse um produto na internet, também não ia querer que falassem sobre ele? Claro que ia. Então por que o espanto?


É preciso simmmmm cuidar da saúde mental — de todo mundo, e com urgência. Isso é imperativo. Mas também não vamos esquecer o valor midiático que toda “nova moda” carrega. A gente vive numa sociedade que transforma até a dor em tendência.

E o pior: julga quem embarca nela, como se não fôssemos todos parte do mesmo show.

Então antes de sair apontando o dedo, vale perguntar:


Estamos mesmo preocupados com o bem-estar dessas mulheres… ou só estamos incomodados porque elas escolheram um afeto que a gente não entende?


No fim das contas, cada um lida com a vida como dá conta. Algumas correm, outras pintam, outras falam com Deus, outras cuidam de bonecas. O que importa mesmo é: isso tá fazendo mal pra alguém? Tá machucando ela ou alguém ao redor? Não? Então tá tudo certo.

E se não tiver, a gente cuida — com escuta, não com piada.


Mas acima de tudo, que a gente aprenda a olhar com menos julgamento e mais crítica. Crítica no sentido de pensar: o que isso diz sobre a nossa cultura, sobre a nossa forma de lidar com o diferente, sobre como mulheres são tratadas sempre que se aproximam do inusitado?


Nem tudo que é estranho é patológico. Nem tudo que é novo é ameaça. E nem toda mulher fazendo algo fora da curva está doente. Às vezes, ela só está expressando algo que a maioria nem teve coragem de tocar.

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