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Ninguém vai a terapia por causa de um cabelo.


Ninguém vai a terapia por estar passando pelo processo de transição Capilar.

De fato não vemos por aí pessoas (leia mulheres) dizerem que sentem que precisam buscar pelo acompanhamento de um profissional da saúde mental, já que agora decidirão passar pela transição capilar.

Mulheres na psicoterapia

Até porque, qual seria a razão lógica para alguém fazer isso não é mesmo?

O que leva uma pessoa a buscar por psicoterapia, inicialmente seria o que nós psicólogos chamamos de sofrimento psíquico, ou seja, quando a pessoa sente que precisa de ajuda para lidar com suas questões emocionais.

Seja por um processo de luto, o término de uma relação ou até mesmo a perda de um emprego. Mas jamais para lidar com o cabelo. Deixa isso para as cabeleireiras e trancistas. Certo?


Errado!


Quando uma mulher decide que irá passar pelo processo de transição capilar, antes mesmo de fazerem qualquer mudança física, ela passa por transformações internas.

É a dúvida se deve ou não abrir mão da química para dar acesso a um cabelo completamente novo?

É a insegurança, por não saber se esta tomando a decisão certa.

E até medo. De não se acostumar com o novo visual, ou de que as outras pessoas não vão gostar.


Ou seja, a transição não começa quando ela corta o cabelo ou no dia que ela conta as pessoas sobre a sua decisão. Ela se inicia muito antes. No desejo de saber como o cabelo é, nas buscas pela internet sobre cabelo, quem sabe até no dia que ela faz a sua última química, mesmo sem ainda saber que será a última.


A dúvida pode trazer a tona sentimento de insegurança quanto a sua aparência e relembrar suas histórias e traumas da infância.

Muitas mulheres cacheadas e crespas que deram início ao uso de químicas ainda na infância e início da adolescência, relatam que tinham o desejo de sentirem-se inclusas em determinados grupos. Gostariam que seus cabelos fossem lisos como os das colegas da escola, para que pudessem fazer os mesmos penteados ou usá-los de forma livre sem o medo de serem ridicularizadas por isso.


A escolha pela escova progressiva, simbolizou um período de liberdade para muitas, e vai além, uma melhora na autoestima e a sensação de realmente estarem bonitas. Com um cabelo que agora seria aceitável.

Ao optarem na vida adulta por fazer o processo inverso, apenas alguns sentimentos se repetem, mas aqui elas passam a experimentar uma necessidade não apenas de sentirem se aceitas nos grupos, mas de saberem quem realmente são.


Quando decidem que querem passar pela transição capilar, algumas mulheres revelam que não fazem ideia de como seu cabelo realmente é “na vida real” e que desejam conhecê-lo, assim como se fossem um verdadeiro estranho mas que elas desejam se relacionar.


Passar pelo processo de transição capilar, não é nem de longe uma decisão simples, ela envolve e gera impacto direto na autoestima das mulheres que mesmo sem terem a real certeza de como será, decidem que querem experimentar.

Mas ao iniciarem, muitas coisas acontecem, algumas esperadas outras completamente novas.


Quando chegamos a vida adulta, acreditamos termos superado a época das piadas e deboches da adolescência. Afinal qual pessoa adulta iria olhar para uma mulher com seus 20 anos em diante e dizer para elas piadas com cara de quinta série?

Mas todos crescem não é mesmo, e as formas de deboche da época da escola também. A diferença é que agora não soa mais com tom de deboche ou piada, está mais para críticas diretas do tipo: gostava mais do seu cabelo como era antes”, “ Você ficava melhor com aquele outro cabelo” ou “Por que você não arruma o cabelo para aquela festa?”


E por aí vai...


Por mais “inofensivas” que possam parecer, as críticas semi disfarçadas de comentários tendem a minar nossa autoconfiança e ruir a autoestima que estamos tentando construir ao iniciar a transição capilar.


E por mais que nenhuma mulher pense em passar em um psicólogo, porque decidiu encara o processo, certamente precisará de um quando começarem a surgir sentimentos e até mesmo pensamentos do tipo “não sou boa o suficiente”, “fulana é melhor do que, mais bonita que eu, mais magra, mais inteligente...”. Quando começar a ter crises de ansiedade que aparecem assim “do nada”.


Ninguém vai ao psicólogo por causa de um cabelo, mas pode procurar um quando sentir que suas emoções estão intensas, quando perceber aquela tristeza no trabalho e quando sentir a insegurança na relação ou a raiva sem motivo.


E antes que a pergunta passe pela sua cabeça a resposta é sim!


É possível que esses sentimentos tenham surgido após a sua decisão de passar pelo processo de transição capilar, por sua decisão de fazer o seu BC (big chop), e até mesmo por você ter optado pelo uso de tranças e apliques.


Você e qualquer outra mulher podem nunca buscarem por um psicóloga para falar sobre cabelo, mas não podemos negar que o cabelo causa um grande impacto em nossa autoestima e na nossa relação com as pessoas. E esse é um bom motivo para buscar por um profissional.

Se neste momento você conhecer uma mulher que esteja passando por essa fase, não a critique nem mesmo com boas intenção. Ela não precisa disso neste momento. Ofereça apoio e compreensão e se não for possível, indique a ela um suporte profissional.

Não para lidar com o cabelo, mas para que ela possa ser acolhida da forma que ela merece.





acolha uma cacheada

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